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Arquitetura colonial, flora e fauna preservadas no interior de São Paulo

Ana Mesquita

A Floresta de Ipanema fica em Sorocaba. Não, você não leu errado. Entre os municípios de Sorocaba, Araçoiaba da Serra e Iperó está localizada uma das maiores reserva de Mata Atlântica do país. A verdade é que a praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, ganhou esse nome por causa do Barão de Ipanema, dono de terras no interior paulista, que comprou terras onde hoje é o famoso bairro carioca, fundando a Vila Ipanema.

A Floresta Nacional de Ipanema é administrada por um órgão federal desde 1992, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), responsável por preservar 5.000 hectares de Mata Atlânatica nativa, além de algumas áreas de Cerrado, várzea e ecossistemas associados, onde vivem 22,6% de toda a fauna do Estado de SP. Além da reserva ecológica, abriga também a Fazenda de Ipanema e prédios históricos, oferecendo ao visitante uma experiência diferente de outros parques do país.

Ainda no século XVI foram descobertas jazidas de ferro na região, mas somente em 1811, com a criação da fazenda é que o ferro começou a ser transformado, com a criação da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, o primeiro empreendimento industrial do país. Hoje está aberto à visitação pública as construções que abrigavam a fábrica, bem como a casa dos primeiros habitantes da região. São construções que percorrem um período grande de tempo, – cerca de 400 anos – possibilitando ao turista ver e vivenciar diversos estilos arquitetônicos do Brasil.

Para conhecer todas as maravilhas do parque a melhor maneira é fazendo uma das três trilhas:

A Trilha de Affonso Sardinha tem aproximadamente 5 km e é nível médio. Possui esse nome, pois é possível visitar os fornos catalães construídos 1597 pelo bandeirante que dá nome à trilha, essas ruínas são históricas pois marcam o inicio da siderurgia no país. A trilha das Ruínas históricas tem 1 km e meio e abriga as principais construções da Real Fábrica de Ferro Ipanema, que conta ainda com um forte, a casa colonial, – que inclusive já hospedou D. Pedro II – os fornos e a fábrica de armas brancas.

A trilha da pedra santa possui 6 km e tem esse nome por conta do lendário monge Giovanni di Augustini, que viveu no Morro de Aroçoiaba entre 1844 e 1852 numa fenda da rocha de arenito, onde fazia suas orações.  É possível ainda visualizar trechos da Peabiru, extensa rede de trilhas que ligava a costa do oceano Atlântico brasileiro (São Vicente), até a cidade de Cuzco no Peru.